GPX

O que é um arquivo GPX?

O formato geral para trajetos e rotas. É o que qualquer relógio de GPS e qualquer aplicativo de trilha exporta.

O que é GPX

GPX é um formato de texto puro que abre em qualquer editor. Ele é usado para mapas e o registro esportivo.

A extensão é .gpx e o nome por extenso é GPS Exchange Format. Os dois importam menos do que aquilo que o arquivo consegue carregar, e é disso que trata o resto desta página.

De onde vem GPX

A Topografix publicou o formato em 2002. A especificação é GPX 1.1.

A idade interessa por um motivo prático: quanto mais antigo o formato, mais programas tiveram tempo de aprendê-lo.

A especificação é pública

Ela está publicada por inteiro, então dá para implementá-la a partir do documento em vez de por observação — é por isso que o formato aparece em tantos programas e por isso que arquivos escritos há vinte anos ainda abrem. Especificação publicada não é o mesmo que livre de royalties: quando o formato embrulha um codec, o licenciamento das patentes é uma questão à parte, que a norma não resolve.

Nada é jogado fora

GPX guarda o conteúdo exatamente. Salvar de novo não muda nada, então dá para abrir, editar e salvar quantas vezes você quiser sem acumular estrago — e é isso que faz dele um formato de trabalho e não de entrega.

O que abre GPX

Garmin BaseCamp, Strava e QGIS leem esse formato, e a maioria dos programas do mesmo tipo também.

Quando um arquivo não abre, o formato raramente é o problema — mais comum é o programa ser mais antigo que ele. Converter para algo mais antigo é o caminho confiável, e é para isso que serve o resto deste site.

Abrir no navegador

Nenhum navegador lê o formato.

Esse é de longe o motivo mais comum para convertê-lo: não que o formato seja ruim, mas que o lugar onde você quer mostrar o arquivo não consegue lê-lo.

É um formato de trabalho

GPX foi feito para ser aberto e alterado. Mantenha o arquivo nesse formato enquanto o trabalho estiver em andamento e exporte a partir dele sempre que precisar de uma cópia pronta.

Três coisas diferentes moram num arquivo GPX

Waypoints são pontos marcados isolados: um estacionamento, um pico, uma fonte de água. Uma rota é uma lista ordenada de pontos descrevendo para onde você pretende ir, sem nada sobre tempo. Uma trilha (track) é um registro de por onde você realmente passou — uma série densa de pontos, cada um com um horário, normalmente um por segundo.

A distinção entre rota e trilha é a que causa confusão. Carregar uma trilha num aparelho de navegação esperando uma rota pode fazer o aparelho recusar, ou tentar dar instruções ponto a ponto ao longo de dez mil pontos. Converter uma trilha em rota exige simplificá-la para umas poucas dezenas de pontos. Saber qual das duas você tem é a primeira pergunta, e qualquer editor de texto responde.

O formato que todo aparelho concordou em usar

GPX é XML, está estável desde 2004, e é o único formato que todo relógio de GPS, ciclocomputador, aplicativo de trilha e site de mapas lê e escreve ao mesmo tempo. Essa universalidade é o motivo de ele existir: cada fabricante tinha seu próprio formato proprietário, e o usuário queria seus dados em outro lugar.

É deliberadamente minimalista. Um ponto é latitude, longitude e, opcionalmente, elevação e horário. Tudo além disso — frequência cardíaca, cadência, potência, temperatura — mora em extensões, um mecanismo de escape que cada fabricante preencheu de um jeito. Funciona, e é por isso que a frequência cardíaca às vezes sobrevive a uma transferência e às vezes não.

Movendo atividades entre plataformas

Essa é a tarefa do dia a dia do formato. Exportar do Strava, Garmin Connect, Komoot, Wahoo ou Polar e importar em outro lugar é um arquivo GPX passando entre eles, e o motivo de fazer isso quase sempre é estar deixando uma plataforma ou querer um backup que sobreviva à assinatura.

A trilha, os horários e a elevação viajam de forma confiável. O que frequentemente não viaja é tudo que a plataforma acrescentou por cima: o tipo de atividade, título e descrição, voltas, o fluxo de frequência cardíaca se estava guardado numa extensão de fabricante. Conferir uma atividade importada antes de subir mais quatrocentas vale os dois minutos.

Elevação é o número menos confiável do arquivo

Um GPS de consumo deriva altitude da geometria dos satélites, e nisso ele é ruim — erros de dez a vinte metros são comuns. Aparelhos com altímetro barométrico se saem bem melhor, e derivam com o clima. Nenhum dos dois produz um número de ganho total que se possa comparar com o de outra pessoa.

É por isso que as plataformas recalculam. A maioria descarta a elevação registrada e consulta um modelo de terreno próprio, e modelos diferentes discordam — essa é a explicação completa de por que o mesmo pedal mostra 640 metros de subida num site e 710 noutro. Nenhum dos dois está mentindo; estão consultando mapas diferentes.

Planejando uma rota e colocando num aparelho

Planeje no computador, onde dá para ver o mapa direito, exporte GPX, e carregue no relógio ou ciclocomputador — pelo aplicativo do fabricante ou copiando o arquivo para o aparelho conectado como uma unidade de armazenamento.

Duas coisas para conferir antes de sair. Quantidade de pontos: alguns aparelhos limitam uma rota a algumas centenas de pontos e vão truncar ou recusar silenciosamente um arquivo com milhares, então simplifique antes de exportar. E direção: um GPX tem uma ordem, e um circuito planejado no sentido horário será navegado no sentido horário. As duas coisas são triviais de corrigir na mesa e irritantes de descobrir num cruzamento.

Consertando uma gravação com problema

Como o arquivo é XML puro, dá para consertar bastante coisa manualmente. Uma gravação em que o relógio foi ligado cedo e ficou rodando no carro tem uma cauda espúria que pode ser apagada. Uma data errada é uma linha. Uma trilha que foi pausada e retomada pode ser unida.

O único cuidado é que os horários estão em UTC. Editá-los para bater com o horário local produz uma atividade internamente consistente e que mostra a hora errada em qualquer plataforma que a converta de volta. Mude os pontos, não o relógio.

GPX contra KML, e quando usar cada um

GPX é para dados de atividade e navegação: uma trilha com horários, uma rota a seguir, waypoints a encontrar. É o formato que os aparelhos falam. KML é para apresentação — marcadores, linhas estilizadas, áreas coloridas, imagens fixadas no mapa — e é o formato que o Google Earth fala.

Converter uma trilha para KML para exibir num mapa é razoável, e o estilo tem que ser acrescentado porque o GPX não tem noção disso. Converter no sentido contrário merece atenção, porque um KML com polígonos e sobreposições tem muita coisa que o GPX não consegue expressar, e o que chega do outro lado é só o que sobreviveu à tradução.

Os dados, num lugar só

Identificadores e procedência do formato GPX.
Extensão.gpx
Tipo de mídiaapplication/gpx+xml
Publicado porTopografix
Primeira publicação2002
EspecificaçãoGPX 1.1

Arquivos GPX: perguntas frequentes

Como abro um arquivo GPX?

Suba para um site de mapas como Strava, Komoot ou Garmin Connect, ou abra num programa de desktop como QGIS ou GPXSee. Também é XML puro, então um editor de texto mostra os pontos brutos — o jeito mais rápido de distinguir uma rota de uma trilha gravada.

Qual a diferença entre uma rota e uma trilha?

Uma rota é para onde você pretende ir: uma lista ordenada de pontos, sem horários. Uma trilha é por onde você realmente passou: um registro denso com horário em cada ponto. Aparelhos tratam as duas coisas de forma diferente, e carregar uma esperando a outra é um motivo comum de falha na importação.

Por que o ganho de elevação difere entre aplicativos?

A maioria das plataformas descarta a altitude registrada e recalcula contra seu próprio modelo de terreno, e os modelos discordam entre si. O GPS de consumo já é ruim para altitude, então o mesmo pedal pode mostrar honestamente 640 metros num site e 710 noutro.

Um arquivo GPX contém frequência cardíaca?

Às vezes. O formato base tem só posição, elevação e horário; frequência cardíaca, cadência e potência moram em extensões de fabricante que diferentes plataformas escrevem e leem de forma inconsistente. TCX ou FIT é o contêiner mais seguro quando os dados de treino importam.

Como coloco uma rota no meu Garmin ou Wahoo?

Planeje no computador, exporte GPX, e transfira pelo aplicativo do fabricante ou copiando o arquivo para o aparelho conectado. Confira a quantidade de pontos antes — alguns aparelhos limitam rotas a algumas centenas de pontos e truncam arquivos maiores.

Dá para editar um arquivo GPX para consertar uma gravação?

Sim, é XML puro e apagar um trecho espúrio ou unir duas trilhas é direto. Só não mexa nos horários — eles estão em UTC, e editá-los para parecer horário local produz uma atividade que mostra a hora errada em todo lugar.