AMR

O que é um arquivo AMR?

O formato de gravação de voz dos celulares antigos. Só voz, arquivos minúsculos, imprestável para música.

O que é AMR

AMR é um codec: a codificação em si, não a caixa em que ela viaja. Ele é usado para celulares.

A extensão é .amr e o nome por extenso é Adaptive Multi-Rate Audio. Os dois importam menos do que aquilo que o arquivo consegue carregar, e é disso que trata o resto desta página.

De onde vem AMR

A 3GPP publicou o formato em 1999.

A um formato que se manteve legível por tanto tempo dá para confiar algo que você quer de volta daqui a dez anos.

A especificação é pública

Ela está publicada por inteiro, então dá para implementá-la a partir do documento em vez de por observação — é por isso que o formato aparece em tantos programas e por isso que arquivos escritos há vinte anos ainda abrem. Especificação publicada não é o mesmo que livre de royalties: quando o formato embrulha um codec, o licenciamento das patentes é uma questão à parte, que a norma não resolve.

É um formato legado

Ele ainda abre em todo lugar e programas antigos ainda o escrevem, mas nada de novo está sendo construído em volta. Converta o que quiser guardar e não o escolha para algo que começa hoje.

Detalhe é trocado por tamanho

AMR joga detalhe fora para continuar pequeno, e o que ele joga fora não volta. É a troca certa para algo que vai ser olhado e a errada para algo que vai ser editado: cada novo salvamento leva mais uma mordida.

Quantos canais de áudio

Até 1. Dois cobrem o estéreo e é o que quase tudo é; mais de dois é som envolvente, e é a parte com maior chance de ser rebaixada na conversão para um formato que não a define.

O que abre AMR

VLC e FFmpeg leem esse formato, e a maioria dos programas do mesmo tipo também.

Quando um arquivo não abre, o formato raramente é o problema — mais comum é o programa ser mais antigo que ele. Converter para algo mais antigo é o caminho confiável, e é para isso que serve o resto deste site.

Abrir no navegador

Nenhum navegador lê o formato.

Esse é de longe o motivo mais comum para convertê-lo: não que o formato seja ruim, mas que o lugar onde você quer mostrar o arquivo não consegue lê-lo.

É um formato de entrega

AMR foi feito para ser entregue, não para se trabalhar dentro dele. Editar um é possível e raramente agradável; o caminho sensato passa pelo original e por uma nova exportação.

O que dá errado com ele

As reclamações que se repetem: fora do próprio terreno o suporte é irregular.

Nada disso é motivo para evitar o formato. São as coisas que vale conhecer antes que uma delas te pegue de surpresa, o que é uma afirmação diferente e mais útil.

Um codec que modela uma voz, não um som

A maioria da compressão de áudio trabalha sobre o sinal: guarda o que o ouvido percebe, descarta o resto. O AMR faz algo diferente — ele presume que o som é fala e codifica os parâmetros de um trato vocal humano produzindo aquilo, depois reconstrói a voz do outro lado a partir dessa descrição.

É por isso que ele alcança taxas que codec de áudio geral não chega perto. Fala numa taxa bem baixa continua inteligível e reconhecível como a pessoa que fala, a uma fração minúscula da taxa de dado de um CD. É também por isso que música soa tão estranha por esse codec: não há trato vocal para modelar, então o codec descreve um violão como se fosse uma garganta.

De onde vêm os arquivos

Telefonia móvel. O AMR foi padronizado em 1999 como o codec de voz para chamadas GSM e UMTS, o que significa que por uma década foi o jeito como boa parte das conversas do mundo viajava.

Os arquivos que as pessoas têm hoje são subprodutos disso: nota de voz de Android antigo, correio de voz exportado de uma operadora ou central telefônica, gravação de chamada, e áudio tirado de um vídeo 3GP de um celular daquela época. Nada grava nesse formato hoje — celulares atuais usam outro codec para notas de voz — então um arquivo AMR quase sempre é algo recuperado, não criado.

Banda estreita e banda larga

Duas variantes existem e soam visivelmente diferente. A de banda estreita amostra numa frequência baixa e cobre mais ou menos a faixa de frequência de telefone, de onde vem aquela qualidade abafada de um correio de voz antigo. A de banda larga amostra numa frequência maior, alcança tons mais altos, e é o que "voz em alta definição" numa rede móvel costuma significar.

Arquivos de banda larga costumam carregar uma extensão diferente da de banda estreita, embora as duas apareçam sob qualquer uma das duas. Se uma gravação soa como uma ligação de telefone, é banda estreita; se soa como alguém na mesma sala com uma leve compressão, é banda larga.

Por que tão pouca coisa toca isso hoje

O suporte desapareceu silenciosamente. Navegador não toca AMR, os tocadores de mídia comuns de Windows e o ecossistema Apple também não, e a maioria dos editores modernos não importa. O VLC toca, e também toca um punhado de outros programas construídos em torno de uma biblioteca de codec ampla.

O motivo é história de licenciamento somada a irrelevância: implementar isso significava pagar patente por duas décadas, e no momento em que as últimas venceram já não havia motivo para adicionar suporte, já que nada que alguém usa produz esse formato mais. É por isso que converter não é preferência aqui, e sim geralmente o único jeito de sequer ouvir o arquivo.

Convertendo, e o que esperar

Para MP3 ou WAV pela compatibilidade, e o resultado vai tocar em qualquer lugar. O que não vai fazer é soar melhor: a conversão decodifica um sinal de fala fortemente comprimido e recodifica, então a qualidade abafada, a faixa de frequência limitada e qualquer artefato são preservados exatamente. Converter um AMR de banda estreita para um MP3 de alta taxa produz um arquivo grande que soa como uma ligação de telefone.

Vale ajustar a expectativa, porque as pessoas costumam converter esperando uma melhora. Os objetivos realistas são compatibilidade e editabilidade. Para voz falada, uma taxa modesta já é suficiente — não há detalhe acima da faixa de telefone para preservar — e um arquivo grande não compra nada a mais.

Conseguindo uma transcrição em vez de áudio

Para correio de voz, entrevista e gravação de chamada, a palavra costuma ser o que importa, não o som. Reconhecimento de fala automático lida mal com AMR em banda estreita e lida consideravelmente melhor com o WAV convertido, então a sequência útil é converter primeiro, transcrever depois.

Espere a precisão que a origem merece. Uma gravação em banda larga de uma pessoa falando claramente transcreve bem; um correio de voz em banda estreita com ruído de fundo e duas pessoas falando ao mesmo tempo produz algo que vale como guia, não como citação exata.

O que usar em vez disso hoje

Opus, para qualquer coisa nova. É livre de royalty, lida com voz em taxas bem baixas tão bem quanto o AMR e com música de verdade também, e é suportado por todo navegador e toda plataforma atual. É o que aplicativo de voz e mensagem modernos de fato usam.

AAC onde compatibilidade com software mais antigo importa, e WAV quando a gravação vai ser editada. O AMR em si não tem mais caso de uso para gravação nova — o valor dele está inteiramente nos acervos que já existem nesse formato.

Os dados, num lugar só

Identificadores e procedência do formato AMR.
Extensão.amr
Tipo de mídiaaudio/amr
Publicado por3GPP
Primeira publicação1999